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HISTÓRIA DO COOPERATIVISMO

A Revolução Industrial, no início do século XIX, ao trazer em sua essência a mais brutal subjugação do trabalho capital registrada pela história, deflagrou os grandes movimentos sociais, destacando-se, entre eles, o cooperativismo.

Os Tecelões de Rochdale

 

Em 21 de dezembro de 1844, em Toad-Lane (Beco do Sapo) um grupo de 28 tecelões da cidade de Rochdale, na região de Manchester, na Inglaterra, lançou no mundo a semente do sistema econômico do Cooperativismo. Convencidos que a união dos esforços e objetivos afins era o melhor caminho para o sucesso na realização dos projetos, criaram a primeira cooperativa da qual se tem conhecimento. Um século e meio de experiência consagrou este sistema como o maior movimento de idéias já realizado na história da humanidade.

O cooperativismo é um sistema econômico-social, autogerido em bases democráticas, operacionalizado por meio da ajuda mútua, que se destina à satisfação das necessidades econômicas e à promoção moral dos membros a ele integrados.

As cooperativas baseiam-se em valores de ajuda mútua e responsabilidades, democracia, igualdade, eqüidade e solidariedade.

No Brasil, encontramos iniciativas cooperativistas em diversos ramos de atividade econômica, como eletrificação, telefonia, indústria, saúde, consumo, transporte, turismo, educação, habitação, mineração e crédito, dentre outros.

Destaca-se, em vários dos segmentos do cooperativismo, o fato de as cooperativas serem compostas por associados que desempenham, ao mesmo tempo, os papéis de proprietários e de usuários dos produtos e serviços por elas oferecidos. Esta prerrogativa gera um alto grau de fidelidade e integração dos profissionais envolvidos com a entidade

 

O SÍMBOLO E A BANDEIRA DO COOPERATIVISMO

1) O Símbolo

 
Pinheiros - Antigamente era tido como símbolo da imortalidade e da fecundidade pela sua sobrevivência em terras menos férteis e pela facilidade na sua multiplicação.
 
Círculo - Representa a vida eterna, pois não tem horizonte final, nem começo, nem fim.
 
Verde - O verde escuro das árvores lembra o princípio vital na natureza.
 
Amarelo - O amarelo ouro simboliza o sol, fonte de energia e calor.
 
Assim nasceu o emblema do Cooperativismo: um círculo abraçando dois pinheiros, para indicar a união do movimento, a imortalidade de seus princípios, a fecundidade de seus ideais, a vitalidade de seus adeptos.Tudo isso marcado na trajetória ascendente dos pinheiros que se projetam para o alto, procurando subir cada vez mais.
 
 

 

2) A Bandeira

Cada uma das cores tem um significado próprio.

     Vermelho - coragem significado próprio.
     Alaranjado - visão de possibilidade do futuro.
     Amarelo - desafio em casa, família e comunidade.
     Verde - crescimento de ambos, individual (como pessoa) e dos cooperados.
     Azul - horizonte distante, a necessidade de ajudar os menos afortunados, unindo-os uns aos outros.
     Anil - pessimismo, lembrando a necessidade de ajudar a si próprio e aos outros através da cooperação.
     Violeta - beleza, calor humano e coleguismo.

COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

A primeira cooperativa de crédito surgiu na Alemanha, em 1848, fundada por Friedrich Wilhelm Raiffeisen. No Brasil, o cooperativismo de crédito foi introduzido por meio do trabalho do padre jesuíta Teodoro Amstadt que, percorrendo a região de colonização alemã do Rio Grande do Sul, levava junto com seu trabalho missionário a doutrina cooperativista.
A primeira sociedade brasileira a ter em sua denominação a palavra "Cooperativa" foi, provavelmente, a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, fundada em 1889. Era uma cooperativa de consumo, entretanto seu estatuto previa a existência de uma "caixa de auxílios e socorros", com o objetivo de prestar auxílios financeiros às viúvas de seus associados ou associados incapazes de trabalhar. A primeira cooperativa de crédito chegou somente em 1902: a Caixa de Crédito Rural em Nova Petrópolis, que se mantém em funcionamento até hoje.

O objetivo de uma cooperativa de crédito é desenvolver programas de assistência financeira e de prestação de serviços aos cooperados, com a finalidade de oferecer adequado atendimento às suas necessidades de crédito, contribuindo para torná-los independentes de outras instituições financeiras públicas e privadas.

São seis os tipos de cooperativas de crédito no Brasil:

1. Cooperativas de Crédito Mútuo de Empregados: organizadas por empregados ou servidores, sejam de empresas privadas ou entidades públicas, cujas atividades sejam afins ou correlatas.

2. Cooperativas de Crédito Mútuo de Atividade Profissional: organizadas por profissionais ou trabalhadores dedicados a uma ou mais profissões e atividades, cujos objetos sejam afins.

3. Cooperativas de Crédito Rural: organizadas por produtores rurais com objetivo de atenderem às necessidades de crédito rural e prestar-lhes serviços do tipo bancário.

4. Cooperativas de Crédito Mútuo de Empreendedores: organizadas por pequenos empresários, microempresários ou microempreendedores, responsáveis por negócios de natureza industrial, comercial ou prestação de serviços.

5. Cooperativas de Crédito Mútuo de Livre Admissão de Associados: poderão ser constituídas em áreas com até 100.000 habitantes (vedada a instalação para atender apenas a parcela de um município).

6. Cooperativas de Empresários: organizadas por empresários cujas empresas, independente do faturamento bruto anual, estejam vinculadas diretamente a um mesmo sindicato patronal ou direta ou indiretamente a uma associação patronal de grau superior.


O sistema cooperativista de crédito brasileiro está estruturado segundo perfis verticalizados e horizontalizados. Enquanto os primeiros buscam a centralização e os ganhos pela economia de escala e se caracterizam por sua estrutura piramidal, com as cooperativas singulares ocupando a base, as centrais ocupando a zona intermediária e a confederação o topo, os segundos buscam a formação de rede de pequenas cooperativas solidárias organizadas sob a forma radial, com diversas singulares vinculadas apenas à central, sem qualquer outra entidade acima desta. Os sistemas formados pelo Sicoob, Sicredi e Unicred, têm o perfil verticalizado e abrangem 75% do total de cooperativas de crédito. Sua composição é:

o Sicoob: 753 singulares, 15 centrais e 1 confederação, sendo que as centrais controlam um banco comercial (Bancoob);
o Sicredi: 131 singulares, 10 centrais e 1 confederação, também com um banco em sua estrutura (Bansicredi);
o Unicred: 128 singulares, 5 centrais e 1 confederação.

Já o sistema Cre$ol, principal experiência de perfil horizontalizado, possui 71 singulares e 1 central, enquanto o sistema Ecosol, com o mesmo perfil, tem 15 singulares e 1 central, ambos detendo 6% do total de cooperativas de crédito.

Atualmente, somos 1.397 cooperativas de crédito em funcionamento no Brasil, segundo dados de junho de 2003.

Funcionam como verdadeiros bancos populares. Dependendo do estágio em que se encontram, podem atender os seus associados em toda linha de serviços prestados por um banco privado de primeira linha, porém com inúmeras vantagens, entre as quais se destacam:

o Juros mais baixos que o do mercado nos empréstimos;
o Remuneração mais alta que o mercado nas aplicações financeiras;
o Taxas de serviço a preço de custo;
o Apropriação do lucro que seria do banqueiro por ocasião da distribuição das sobras.

Ao contrário dos bancos, o cooperativismo de crédito se fortalece com a multiplicação: quanto mais cooperativas de crédito existirem na região, melhor para o sistema. Por isso, as cooperativas centrais de crédito, ou mesmo as cooperativas singulares próximas, sempre estão dispostas a ajudar na criação de novas cooperativas e não fazem segredo dos seus manuais de operação. Possuem programas de fomento, de treinamento e assistência a novas cooperativas. Visto de maneira consolidado, detêm 1,77% das operações de crédito efetuadas no Brasil.